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Disponível por encomenda
Olá, estudante!
Vamos iniciar a disciplina abordando os conceitos necessários para que você possa realizar a
atividade através das situações-problema mais à frente.
Introdução
Quando pensamos no objeto de estudo da Ciência Política, nos
deparamos com uma diversidade de definições e conceitos teóricos, o
que demonstra a amplitude das possibilidades e como podemos lançar
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Material Teórico
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conteúdo online para que você assista à videoaula.
Será muito importante para o entendimento do
conteúdo.
mão de suas ferramentas como recursos para interpretar as relações
de poder, seu exercício, organização e distribuição na sociedade e sua
história. Podemos entender a Ciência Política como:
Portanto, é nesse contexto que lançamos mão dessa área do conhecimento para propor uma
reflexão sobre o papel dos estudos da Ciência Política na busca pela compreensão da crise
política na contemporaneidade.
O que tem caracterizado as relações políticas recentes é um processo de polarização que
ganha força exponencial com o advento dos conteúdos produzidos nas redes sociais. Claro que,
para além das redes, a discussão deixou de ser um debate de ideias e projetos políticos e
– DIAS, 2013, p. 1
“Uma ciência social que estuda o exercício, a distribuição e a organização
do poder na sociedade. Como ciência social, procura estudar os fatos
políticos, que envolvem tanto acontecimentos e processos políticos, como
o comportamento político que se expressa concretamente na interação
social. Dentre outros temas, descreve, por exemplo, os processos
eleitorais, a resposta da população às decisões políticas tomadas pelas
autoridades, a constituição e a dinâmica dos partidos políticos e dos
grupos de pressão, os impactos das mudanças políticas e suas
consequências, a organização das diferentes formas de governo, as
funções exercidas pelas autoridades no interior do Estado, o processo
político da tomada de decisões que afetam a sociedade global, as
diferentes relações de poder entre indivíduos diversos, a ação dos grupos
de influência, a evolução do pensamento político.”
ideológicos para se transformar em discursos de ódio e intolerância, situação já vivenciada na
história nas etapas que antecederam os regimes totalitários. Quando o radicalismo entra por
uma porta, a democracia sai pela janela.
O que temos presenciado a prática de constantes ataques ao regime democrático de direito sob
a alegação de uma suposta “liberdade de expressão”, que não respeita nenhum critério de
civilidade e da observância da verdade. Tanto é que inúmeros pesquisadores e teóricos
defendem que vivemos em tempos de pós-verdade.
Todos nós, num curso de ciência política, estudamos o conceito de política já no início, uma vez
que não podemos compreender o objeto de estudo da ciência política sem nos apropriarmos
daquele conceito. Portanto, não cabe aqui definir os diversos entendimentos teóricos desse
conceito que já deve estar por nós internalizado, mas é importante relacionar duas definições de
política que se opõem e, ao mesmo tempo, servirão de partida para o nosso objetivo de reflexão
aqui proposto.
Dias (2013), ao debater os conceitos de política, nos traz dois autores que se encaixam e
explicam perfeitamente o momento político que vivemos, são o autor alemão Carl Schmitt e o
inglês Bernard Rowland Crick, vejamos como cada um trabalha esse conceito e qual deles
tornou-se um dos mentores do nazismo.
O filósofo alemão Carl Schmitt foi um influente pensador político. Ele concebeu uma ideia
maniqueísta da política, reduzindo-a à distinção amigo-inimigo. Para ele, “o conceito de Estado
supõe o de político” (DIAS, 2013, p. 2). O Estado, para ele, “é o status político de um povo
organizado no interior de fronteiras territoriais” (DIAS, 2013, p. 2).
Ainda segundo esse autor, “o inimigo político não necessita ser moralmente mau, nem
esteticamente feio” (DIAS, 2013, p. 2), não constitui problema se tornar-se um concorrente na
economia, e até poderá ser vantajoso fazer negócios com ele. O inimigo “simplesmente é o
outro, o estranho, e para determinar sua essência basta que seja existencialmente distinto e
estranho em um sentido particularmente intensivo” (DIAS, 2013, p. 3). Este raciocínio de Schmitt
tem várias implicações; por exemplo, induz a unidade do Estado visando ao enfrentamento do
inimigo externo. Nesse contexto, a pluralidade de opiniões é vista como prejudicial à união de
todos (amigos) contra o inimigo comum, pois a política é entendida como oposição ao outro, o
estranho, sendo inaceitável uma posição em que se questione esse posicionamento, como
alternativa à concepção binária de política. Assim, quem não é amigo só́ pode ser inimigo, e
passa a ser perseguido. Essa visão maniqueísta da política o levou a identificar-se com o
nazismo, tornando-se um dos seus ideólogos.
Por outro lado, Bernard Crick entende que a política pode ser definida “como a atividade através
da qual são conciliados os diferentes interesses, dentro de uma determinada unidade de
governo, dando a cada um deles uma participação no poder, proporcional à sua importância para
o bem-estar e a sobrevivência de toda a comunidade” (CRICK, 1981, p. 7). Nesse sentido, podese afirmar que a política “é uma forma de governar nas sociedades divididas, sem o uso indevido
da violência” (CRICK, 1981, p. 7). Ainda, segundo esse autor, existem “algumas sociedades com
vários interesses diferentes e pontos de vista divergentes” (CRICK, 1981, p. 7), e eticamente “a
conciliação é preferível à coerção”. Nessa concepção, o governo pacífico é melhor do que “o
domínio violento, e que a ética política não é um tipo inferior de atividade ética, senão um nível de
vida ética completamente autocontida e plenamente justificável. A política não é justamente um
mal necessário, senão um bem realístico” (DIAS, 2013, p. 4).
Penso que estas duas abordagens sobre o conceito de política nos esclarecem e lançam luz
sobre o nosso objeto de reflexão aqui, ou seja, um exercício próprio do desenvolvimento do
conhecimento e senso crítico que nos aproximam do verdadeiro sentido da formação em Ciência
Política, entendendo esta como “uma ciência social que estuda o exercício, a distribuição e a
organização do poder na sociedade” (DIAS, 2013, p. 1).
A Crise Política Contemporânea
A sociedade contemporânea passa por um momento complexo e tumultuado, onde as relações
entre as nações refletem um estado de incertezas e atritos. Convivemos com uma crise
migratória que preocupa os EUA e Europa, são milhares de pessoas que fogem da violência em
seus países ou em busca de melhores condições de vida. Aventuram-se em travessias da
África para o continente europeu pelo mar Mediterrâneo, em embarcações precárias e com um
índice de mortes por afogamento ou desaparecimento de homens, mulheres e crianças que já
ultrapassam duas mil e quinhentas pessoas, segundo o Alto Comissariado da ONU para
Refugiados (ACNUR). Não há como negar que se trata de uma tragédia humana sem previsão de
solução, mas, sim, de agravamento.
No continente americano, algo parecido acontece com famílias inteiras que marcham desde a
América do Sul até o México com esperança de entrar nos EUA pela fronteira mexicana com
causas semelhantes aos africanos que buscam o sul da Europa.
Essa crise migratória, por outro lado, tem gerado um número crescente de casos de xenofobia,
um tipo de preconceito caracterizado pela aversão, hostilidade, repúdio ou ódio aos
estrangeiros. Sendo que esse comportamento não se restringe aos estrangeiros que chegam
aos países europeus, mas também àqueles que já vivem nos países há algum tempo.
Podemos apontar essa situação como uma das causas da ascensão dos movimentos de
extrema direita radicalizada que potencializam esse discurso encontrando grande repercussão
e aderência de boa parte da população desses países.
Mas não é só isso que preocupa quem estuda esses movimentos, o livro A Extrema Direita Hoje,
escrito recentemente pelo professor e cientista político holandês Cas Mudde, da Universidade
de Georgia (EUA), contribui para o debate sobre as bases da extrema direita atual ao apresentar
de forma sintética as principais características do radicalismo de direita.
Trata-se, segundo o autor, de um movimento que não se restringe apenas a alguns países, mas,
sim, um fenômeno global que, atualmente, se encontra em expansão em todos os continentes.
Seu histórico já vem de longa data, desde a derrocada do fascismo e nazismo na Europa.
Vivemos a quarta onda desse movimento que vem se consolidando como resultado das crises
econômica, migratória e de segurança (MUDDE, 2022).
Mudde (2022) destaca que os radicais de direita apresentam diferentes ideologias entre si.
Aponta o autoritarismo, nativismo (ataque às minorias e imigrantes) e o populismo e ataques à
agenda ambientalista como características dessa direita. Além do discurso de ódio e da luta
contra o “comunismo”, qualquer debate contra esse tipo de comportamento, a identificação do
oponente passa, necessariamente, pela sua identificação como um “comunista”. Outra
característica dessa direita é o discurso de ódio, o “bem” contra o “mau”, o Estado mínimo
sustentado pela lógica do neoliberalismo e o fomento da polarização.
A naturalização da direita radical no século XXI tem que fazer parte de uma das maiores
preocupações do nosso tempo, porque sabemos onde vai desembocar esse tipo de radicalismo.
Isso porque os partidos extremistas conseguiram capitalizar-se junto à população, não primam
pela conduta ética, estão ocupando lugares cada vez maiores nos parlamentos e suas questões
ganham espaço na agenda política e na mídia que, ora apoia suas pautas, ora se comportam
como críticos, numa relação ambígua.
As bandeiras que esses movimentos defendem hoje, e que há algum tempo não eram
verbalizadas, encontram ressonância em parcelas cada vez maiores da população,
principalmente a agenda de costumes e segurança.
Outra questão que acentua essa polarização está associada às duas Guerras que caracterizam
crises preocupantes desse início de século XXI, ou seja, as Guerras entre Rússia e Ucrânia, e a
resposta do governo israelense ao atentado terrorista do grupo palestino Hamas ao território de
Israel, provocando a morte de mais de mil e quinhentos israelenses e estrangeiros, além do
sequestro de mais de duzentas pessoas. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu,
ordenou a invasão ao território palestino que já vitimou mais de 30 mil palestinos.
Pelo que expusemos, justifica-se a preocupação e a necessidade de que mais e mais pessoas
debatam e reflitam sobre esse contexto e cabe a nós, cientistas políticos, assumir esse
protagonismo, tendo como sustentação a reflexão crítica e teórica.
O que tem caracterizado o cenário político mundial acende um sinal de alerta e vários autores
identificam esse momento como aquele em que as democracias no mundo passam por uma
crise sem par na história. O enfraquecimento das normas democráticas, no contexto norteamericano, por exemplo, estaria relacionado justamente com uma polarização sectária extrema
que vai além das diferenças políticas e adentra conflitos de raça e cultura. Conforme esses
autores, experiências de outros países demonstram que a polarização extrema é capaz de
matar as democracias. Por outro lado, também ensinam que o colapso não é inevitável e nem
irreversível. A seguir, abordaremos, com mais detalhes, justamente essa crise.
A Crise da Democracia
A proposta aqui não é esgotar o debate sobre a crise da democracia contemporânea, mas
apontar o que os autores que estão se debruçando sobre esse tema estão dizendo e como essa
reflexão está intimamente associada à nossa área de formação, ou seja, à ciência política.
Num primeiro momento, apontaremos duas abordagens sobre a crise da democracia que foram
desenvolvidas nesse início de século XXI. Uma primeira interpretação identifica a democracia
liberal como o apogeu do regramento institucional democrático, segundo estes autores, ela
precisa ser salva e o populismo seria o principal responsável pela crise da democracia liberal e
este deveria ser eliminado da vida política. Alguns dos autores que poderíamos citar: Runciman
(2018); Levitsky e Ziblatt (2018); Snyder (2019), e Przeworkski (2020).
Por outro lado, a segunda abordagem, diferentemente do enfoque anterior, parte de uma análise
distinta do problema: defendem que as instituições políticas é que estão em crise, sendo assim,
não é culpa do populismo, mas, sim, da própria democracia liberal. Identificam-se com essa
linha de interpretação: Mouffe (2015; 2019); Santos (2016; 2018); Castells (2018); Fraser e Jaeggi
(2020), e Brown (2019).
Fazendo uma breve análise na busca de compreender essa conjuntura de crise, iniciamos com
David Runciman, que parte do inconformismo com a eleição de Donald Trump e se pergunta: “é
assim que a democracia chega ao fim?” (RUNCIMAN, 2018, p. 7). Buscando responder a essa
pergunta, trabalha com a hipótese de que os golpes antidemocráticos de hoje estruturam-se por
dentro das instituições tradicionais, um processo lento e gradual. São os eleitores por meio do
voto que legitimam o fim da democracia.
O golpe no século XXI é gradual, por dentro das instituições políticas e de forma camuflada. Em
síntese, o autor expressa seu pensamento de forma clara:
O autor compreende que a democracia liberal passa por transformação, no entanto, não sabe
dizer qual o rumo dessa transformação. A única certeza é que o “autoritarismo pragmático”, ou
seja, um desvio populista, não é a melhor direção.
Por sua vez, Levitsky e Ziblatt (2018), seguindo essa linha de raciocínio, defendem que hoje,
muitas vezes, a derrocada da democracia é gradual e imperceptível para os cidadãos, uma vez
que os próprios governantes, com auxílio dos próprios dispositivos institucionais, alegam buscar
o aperfeiçoamento do sistema político.
– RUNCIMAN, 2018, p. 52
“Quanto mais a democracia é tida como segura, maiores são as
possibilidades de que venha a sofrer uma subversão sem precisar ser
derrubada. Em especial, a ampliação do poder do Executivo – em que
homens fortes eleitos minam as instituições democráticas enquanto
alegam defendê-las – parece ser a maior ameaça à democracia no século
XXI. Há sinais de que esteja em curso, entre outros países na Índia, na
Turquia, nas Filipinas, no Equador, na Hungria e na Polônia; e é possível
que também ocorra nos Estados Unidos. O problema é que pode ser difícil
saber com certeza. A grande diferença entre um golpe de Estado clássico e
esses outros tipos de golpe é que o primeiro é um evento isolado em que
se decide entre tudo ou nada, enquanto os outros são processos
graduais.”
Assim como os autores anteriores, Snyder (2019) busca destrinchar esse complexo tema, por
sua vez, enfatiza o protagonismo das redes sociais na vitória de Trump, mas com um olhar mais
atento ao modo como a Rússia operou essas redes sociais através de robôs, em particular o
Twitter e o Facebook. Notícias falsas, as “Fake News”, passaram a ser confundidas com as
informações verdadeiras. Para esse autor, é na seara da desinformação que corre seu maior
risco. Neste contexto, “o autoritarismo chega não por que as pessoas dizem que o querem, mas
porque perdem a capacidade de distinguir entre fatos e desejos”, diz Snyder (2019, p. 304).
Essa interpretação encontra muita repercussão e reflete grande parte das opiniões que buscam
compreender o processo pelo qual estamos passando e que não sabemos onde vai dar.
Os estudos sobre a crise da democracia liberal que descrevemos até agora ocuparam grande
parte das recentes publicações da ciência política, mas estão longe de ser uma unanimidade.
Outra linha de interpretação diferente entende que é própria democracia liberal como a culpada
pelo avanço do populismo de direita que permeia o cenário internacional em constante
comunicação e colaboração.
A cientista política belga Chantal Mouffe, é, certamente, uma das principais referências da crítica
à democracia liberal. Em um dos seus estudos, ela lançou mão do filósofo alemão Carl Schmitt,
apropriando-se da dicotomia amigo/inimigo desse autor para expressar a lógica da democracia.
Mouffe (2015; 2019), diferentemente de Schmitt, acredita que na democracia moderna, essa
dicotomia amigo/inimigo, ou nós/eles, exige a aceitação do pluralismo. O autor identificado com
o Nazismo não aceitaria essa interpretação.
Basicamente, em Mouffe, a política é a relação entre nós/eles. Essa relação pode ser, como em
Schmitt, de um antagonismo amigo/inimigo em que as partes não respeitam as existências
recíprocas e procuram erradicar seus oponentes. Seguramente, não é esse o modelo
democrático desejado pela autora. Mouffe (2015; 2019) defende a domesticação do conflito
como tarefa da democracia e para isso acredita na substituição do antagonismo pelo
reconhecimento da legitimidade dos seus oponentes, ou seja, uma situação em que as partes
não sejam inimigas. Hoje o discurso é uma relação de ódio, que simplesmente defende a
eliminação física do oponente, em que um representa o bem e o outro o mau. Diferentemente do
que acredita Mouffe, estamos longe de uma aceitação mútua.
Uma abordagem um pouco distinta, mas também crítica do modelo democrático atual, foi
apresentada pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Segundo esse autor, a
democracia liberal reconhece dois mercados de valores: um que é o da liberdade política, da
liberdade de ideias, e o da liberdade de mercado. No entanto, a democracia neoliberal reconhece
apenas a liberdade de mercado e esse modelo compromete o exercício pleno da democracia.
Por isso, Santos (2018) cunhou a expressão “radicalizar a democracia”, ou seja, intensificar sua
tensão com o capitalismo. Como assim?
Propõe mesclar com a democracia representativa elementos da democracia participativa e
comunitária, com maior redistribuição social e inclusão intercultural. Santos (2018, p. 35)
argumenta que as características da atual crise da democracia liberal “apontam para uma
condição de irreversível contradição entre capitalismo e democracia, mesmo a democracia de
baixa intensidade que a versão liberal sempre foi”.
Santos (2018) não faz uma defesa do populismo, mas destaca seu uso de forma pejorativa, seja
para designar uma esquerda e retirar-lhe a legitimidade democrática para resistir ao consenso
repressivo neoliberal e propor uma alternativa crível.
Assim como para Mouffe, para Santos, o populismo também não pode ser visto de forma
homogênea. Há populismos de esquerda e de direita e seus conteúdos não são os mesmos.
“São dois ‘animais políticos’ muito diferentes: para o primeiro, mais democracia é a solução;
para o segundo, mais democracia é o problema”, avalia Santos (2016, p. 164). Percebemos que
são interpretações passíveis de contraposição e críticas, mas que contribuem para o debate tão
necessário nesse momento.
Uma outra interpretação da crise pela qual passa a democracia encontramos no livro “Ruptura: a
crise da democracia liberal”, de Manuel Castells, publicado em 2018. Nessa obra, o autor parte
da descrição detalhada das eleições de Trump nos EUA e Macron na França, a vitória do
Brexit no Reino Unido e o surgimento do “Podemos” na Espanha, trata-se de um partido de
esquerda que surgiu em 2014, como desdobramento do movimento espanhol 15-M, também
conhecido como Movimentos dos Indignados, em um contexto de crise econômica e política e
precárias condições de vida na Espanha. Castells (2018) usa essa descrição como forma de
compreender o cenário internacional de desintegração da democracia liberal.
Ao descrever estes recentes eventos, Castells (2018) os associa com a ascensão do populismo
de direita defendido e propagado por figuras como Ted Cruz, Marco Rubio, Donald Trump e Steve
Bannon baseados num “nacionalismo populista e xenófobo” ou em um “movimento nacionalpopulista”.
Na verdade, Castells (2018) investiga algumas das causas pelas quais a separação entre
representantes e representados se acentuou nas últimas décadas, até chegar ao ponto de
rejeição daqueles que estão no poder.
Nas redes sociais em que todos podem se expressar, ondas bravias de bots (abreviatura de
robôs, na verdade, é um programa de software que executa tarefas automatizadas, repetitivas e
pré-definidas), se multiplicam e difundem imagens e frases de efeitos aos milhares e, ao mesmo
tempo, um novo mundo começa a surgir: o mundo da pós-verdade, da qual a mídia tradicional
acaba participando, contribuindo para que a incerteza seja a única verdade confiável. No fundo,
por trás de tudo, está nas palavras de Manuel Castells, “a estratégia para se destruir as
esperanças. Para que tudo fique igual” (CASTELLS, 2018, p. 28).
Já que Castells nos trouxe para o mundo da pós-verdade, cabe-nos perguntar do que se trata
essa tal de pós-verdade? Esse é o tema do nosso próximo tópico.
O Mundo na Pós-verdade e o Poder
Em primeiro lugar, faz-se necessário esclarecermos como o termo “pós-verdade” passou a
fazer parte da linguagem que procura refletir sobre o cenário que vem se consolidando nos anos
recentes.
A palavra “pós-verdade” foi usada pela primeira vez na revista americana The Nation, em 1992,
em um artigo do dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich quando este se posiciona sobre a
Guerra do Golfo (1990-1991). Há algum tempo, o autor já trabalhava com a ideia de que, numa
sociedade dominada pela pós-verdade, os fatos importam menos do que os fatos.
Só doze anos depois, em 2004, o escritor norte-americano Ralph Keyes usou o termo no título de
seu livro A era da pós-verdade: desonestidade e decepção na vida contemporânea. No entanto,
o termo ganhará popularidade após a publicação do artigo “Arte da Mentira”, na revista inglesa
The Economist. O uso do termo pela mídia cresceu exponencialmente e tomou conta do debate
social e político contemporâneo.
Mas foi em 2016, com o advento de dois acontecimentos importantes, que o uso do termo
passou a fazer parte da linguagem teórica, de forma mais constante, para associar a
disseminação em proporção nunca vista de notícias falsas (fake news em inglês). Os
acontecimentos foram: a eleição do candidato republicano Donald Trump para a presidência dos
Estados Unidos (EUA) e a campanha pelo Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).
A noção de pós-verdade também passou a fazer parte dos debates sociais e políticos e chegou
a ganhar um verbete no dicionário Oxford que a definiu como um adjetivo relacionado às
circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública
do que os apelos às emoções ou crenças pessoais.
É dessa forma que as fake news tomaram conta do debate social e político contemporâneo e
agora fazem parte dos estudos desenvolvidos por cientistas políticos pelo mundo afora.
Com o intuito de exemplificar como essa situação passou a fazer parte do cenário político
mundial, cabe detalhar de forma resumida os dois acontecimentos importantes que apontamos
anteriormente e que deram início à discussão sobre o ambiente de pós-verdade que caracteriza
nossos tempos.
– ABDOUNI, 2021, p. 17
“As fake news são cada vez mais utilizadas de forma global por grupos
políticos para ascender e se manter no poder, a fim de mudar a opinião a
seu respeito, e por grupos ideológicos que procuram disseminar versões
de seu interesse distorcendo a realidade e propagando mentiras e ódio
religioso e racial, o que se combina, frequentemente, com a ação de
setores que objetivam faturamentos milionários, produzindo, de forma
massiva, vídeos com títulos bombásticos, sem correspondência com os
conteúdos, que acabam gerando resultados muitas vezes irreversíveis.”
No caso específico da vitória de Trump, nas eleições de 2016, nos EUA, sabemos que, durante
sua campanha, ele divulgou que o desemprego nos EUA ultrapassava os 40%; que sua oponente,
a democrata Hillary Clinton, era a responsável pela criação do Estado Islâmico; que Barack
Obama era muçulmano; e que o Papa Francisco apoiava sua candidatura, no entanto, nenhuma
dessas informações eram verdadeiras.
Por outro lado, durante as discussões e debates sobre o Brexit (vem da junção das palavras
inglesas “Britain” – Bretanha e “Exit” – saída) ocorreu algo muito semelhante ao que
presenciamos no caso da eleição de Trump nos EUA, ou seja, a campanha pelo Brexit também
se apoiou em informações falsas, como a divulgação de que a permanência no bloco custava
470 milhões de dólares por semana ao país. Ainda que depois essas informações tenham sido
denunciadas como mentirosas, isso não foi suficiente para mudar o pensamento das pessoas
que preferiram acreditar no que queriam, mas que, na verdade, foram condicionadas a acreditar
que queriam.
Essa constatação precisa estar na agenda de estudos e questionamentos de todo bom cientista
político, principalmente como fonte de reflexão sobre o que está por vir, se é que poderemos
prever alguma coisa num mundo de relações tão fragilizadas quanto esse em que vivemos.
– D’ANCONA, 2018, p. 21-22
“A eleição de Trump e a triunfante campanha da saída do Reino Unido da
União Europeia marcaram indubitavelmente um levante contra a ordem
estabelecida e uma demanda por uma mudança mal definida:
respectivamente, como “Tornar a América Novamente Grande” e
“Reassumir o Controle”. As duas vitórias anularam as previsões
displicentes de experts, pesquisadores de opinião pública e agenciadores
de apostas. […] ambas as insurreições refletiram um novo e alarmante
colapso do poder da verdade como motor da conduta eleitoral.”
Nesse contexto em que parece que pisamos em areia movediça, impera a imprevisibilidade, o
que dificulta ainda mais a atuação do cientista político que não encontra no arcabouço teórico
até agora desenvolvido, respostas para o que fazer, e menos ainda sobre o que está por vir.
Como explicar o que acontece se tudo é tão fluido e indefinido?
Antes de darmos prosseguimento à nossa abordagem crítica, faremos um parêntese aqui
visando indicar dois documentários que lhe auxiliarão compreender como foi sendo estruturada
a manipulação da opinião pública e o controle de dados das pessoas a partir do Reino Unido e
Estados Unidos.
A Cambridge Analytica, fundada em 2013, é uma empresa de análise de dados que trabalhou
com a equipe responsável pela campanha do republicano Donald Trump nas eleições de 2016,
nos Estados Unidos e que, segundo o jornal The Guardian, na Europa a empresa foi contratada
pelo grupo que promovia o Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia). A empresa é
propriedade do bilionário do mercado financeiro Robert Mercer e era presidida, à época, por
Steve Bannon, então principal assessor de Trump.
Feito esse parêntese, uma das questões centrais a se pensar a partir do exposto é como se
darão as disputas pelo poder em tempos de pós-verdade, e em posse desse poder, como será o
seu exercício diante da fragilidade do equilíbrio entre os poderes executivo, legislativo e
judiciário? Pensamos que não são boas as previsões diante da derrocada de questões como
cumprimento das normas constitucionais, comprometimento com a verdade e o respeito às
instituições estabelecidas pelo regramento democrático e convívio civilizatório.
O que desperta em nós atenção tem a ver com o texto de Hannah Arendt, em seu livro “Origens
do Totalitarismo”, em que a autora defende a tese de que, mesmo reconhecendo um conflito
estrutural entre verdade e política, existe uma mudança no modo clássico e contemporâneo do
uso da mentira na disputa pelo poder. A mentira clássica era dirigida estrategicamente para este
ou aquele grupo oponente e por isso poderia ser facilmente detectada pelos historiadores e
cientistas políticos como uma espécie de vazio ou falha na rede de acontecimentos. Pela
interpretação de Arendt, o que assusta na contemporaneidade é que ela é marcada por uma
forma de “mentira organizada”, uma aliança entre os meios de comunicação e os postulantes ao
totalitarismo, que têm como foco implodir a realidade com estratégias midiáticas, em redes
sociais que manipulam as massas.
Nesse contexto, o que podemos destacar como estabelecido é uma prática recorrente por parte
destes candidatos e organizações que fomenta uma ação política cujo objetivo principal é a
conquista do poder a qualquer custo com vistas a se perpetuarem nele. Importante destacar que
qualquer ação política nos extremos, seja à direita ou à esquerda, visa estabelecer e implantar o
totalitarismo, colapsando a prática democrática e o respeito à pluralidade de pensamento.
Se como cientistas políticos nos fosse possível simular um experimento com a utilização de
uma lupa para analisarmos o modus operandi desses processos de extrema direita, veríamos
que todos atuam visando solapar as instituições que dão sustentabilidade ao sistema
democrático promovendo a destruição da sua credibilidade, por exemplo; colocam em dúvida a
lisura do processo eleitoral, questionam o sistema de justiça, atacam a imprensa, propagam a
ameaça comunista, promovem a disseminação de notícias falsas, questionam a veracidade do
risco ambiental, defendem uma agenda conservadora de costumes, negar de forma sistemática
fatos comprovados ou demonstrados, transformando-os em um sistema de pensamento,
gerando um discurso negacionista etc.
Perspectivas Futuras
Antes de pensar no futuro, é bom colocar a situação atual no contexto do que aprendemos sobre
o passado. Na medida em que alguns aspectos da situação atual repetem circunstâncias que já
aconteceram, podemos aproveitar as lições sugeridas pelas comparações entre as
democracias consolidadas que entraram em colapso e as que sobreviveram. Mas a história não
ilumina o futuro se as condições atuais forem inéditas, não havendo, portanto, de onde tirar
lições. É por isso que precisamos situar o presente no contexto do passado.
O que nos faz refletir sobre o cenário atual pode ser facilitado pela análise desenvolvida por
Przeworski (2020), que nos ajuda a pensar no futuro, é bom colocar a situação atual no contexto
do que aprendemos sobre o passado. Na medida em que alguns aspectos da situação atual
repetem circunstâncias que já aconteceram, podemos aproveitar as lições sugeridas pelas
comparações entre as democracias consolidadas que entraram em colapso e as que
sobreviveram. Mas a história não ilumina o futuro se as condições atuais forem inéditas, não
havendo, portanto, de onde tirar lições. É por isso que precisamos situar o presente no contexto
do passado.
É impossível dizer se a polarização atual, acompanhada da hostilidade contra pessoas que têm
opiniões diferentes, é novidade. Ela sem dúvida é novidade no período recente, mas, como vimos
nas crises passadas, em diferentes países, incluindo os Estados Unidos, houve momentos em
que a sociedade esteve profundamente dividida. Tudo que sabemos é que rupturas dessa
intensidade são duradouras e difíceis de superar. Deixam cicatrizes, muitas vezes cobertas por
uma camada de silêncio, como a experiência da guerra civil na Espanha ou as divisões sobre o
período Allende no Chile, e tendem a ressurgir.
Como diz o provérbio polonês: “O pessimista é apenas o otimista bem-informado”. Przeworski
se diz ser comediante pessimista com relação ao futuro. Não acredito que a sobrevivência da
democracia esteja em jogo na maioria dos países, mas não vejo nada que possa acabar com o
nosso descontentamento atual. Ele não será aliviado por acontecimentos políticos ocasionais, ou
pelos resultados de eleições futuras. A crise não é apenas política; tem raízes profundas na
economia e na sociedade. É o que me parece mais assustador.
Talvez você esteja se perguntando por que discutir esse tema e esses fatos num curso de
Ciência Política, qual a relação com a minha formação nessa área do conhecimento? Em
resposta, podemos dizer: tem conexão total com o papel a ser desempenhado pelo cientista
política, a busca constante pela leitura e interpretação do cenário político como forma de tentar
prever o que nos reserva o futuro, principalmente quando a crise da democracia enfrenta a
desconfiança dos cidadãos nas instituições públicas e, por conseguinte, corroendo seu apoio à
própria sobrevivência da democracia.
Material Complementar
Livro
Os Engenheiros do Caos
Como as Fake News, as teorias da conspiração e os algoritmos estão sendo utilizados para
disseminar o ódio, medo e influenciar eleições.
EMPOLI, G. Os engenheiros do caos: Como as fake news, as teorias da conspiração e os
algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições. Editora:
Vestígio. 1ª ed. 2019.
Filme
A Verdade da Mentira: Série inspirada em True Lies Trailer
legendado
A jornalista Pétria Chaves investiga como as estruturas de desinformação online operam, qual
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Material Complementar
influência podem ter no processo democrático e os esforços possíveis para conter o fenômeno.
Assista a seguir o trailer do filme indicado:
Leituras
O Fenômeno da Pós-Verdade: Uma Revisão de Literatura
Sobre suas Causas, Características e Consequências
Trata-se de uma análise do fenômeno da pós-verdade, a partir de uma sistematização de
trabalhos realizados por diferentes autores de diferentes ciências e países estudiosos desse
tema, visando compreender esse fenômeno para além da compreensão tecnológica ou das
ações individuais.
Situação-Problema 1
Caro(a), estudante.
Agora, vamos compreender o cenário que será abordado na primeira situação-problema da
disciplina.
Atente-se à situação profissional que você precisará entender para poder realizar a atividade.
Digamos que você já é um cientista político e foi incumbido de desenvolver uma pesquisa que
tem como objetivo realizar um levantamento sobre três características que são recorrentes
durante as campanhas ou práticas políticas em países diferentes e que podem ser explicadas
pelas descrições e conceitos trabalhados sobre a ideia de pós-verdade e fake news. No entanto,
suas fontes de informação têm que ser artigos a partir de 2022 encontrados na biblioteca virtual
de revistas científicas brasileiras em formato eletrônico (SciELO – Scientific Electronic Library
Online). Os países tratados no nosso conteúdo (EUA e Brexit) estão fora dos exemplos. Seu texto
deverá ter, no mínimo, duas páginas, fazendo as comparações, análises, e refletindo por que
representam uma nova forma de fazer política. Atender as normas da ABNT e citar os artigos e
autores atualizados, máximo três textos. Citar fontes de consulta.
Situação-Problema 2
Caro(a), estudante.
Agora, vamos compreender o cenário que será abordado na segunda situação-problema de
caso da disciplina.
Atente-se à situação profissional que você precisará entender para poder realizar a atividade.
Você foi incumbido de fazer um levantamento sobre sete governos na América do Sul e
descrever qual o tipo de alinhamento político que eles têm e como são definidos segundo os
conceitos teóricos estudados no Curso, exemplo: conservadores, progressistas, de esquerda,
extrema direita, de direita etc. Além disso, deverá fazer comparações sobre como estão
alinhados politicamente entre si, levando em consideração o que estudamos na disciplina.
Priorize artigos científicos para sua pesquisa. Seu texto deve ter, no mínimo, duas páginas
atendendo às normas da ABNT. Citar fontes de consulta.
Situação-Problema 3
Caro(a), estudante.
Agora, vamos compreender o cenário que será abordado na terceira situação-problema da
disciplina.
Atente-se à situação profissional que você precisará entender para poder realizar a atividade.
Digamos que você é um cientista político indicado para acompanhar o processo político da
Argentina que culminou com a eleição de Javier Milei, seu trabalho deverá ser relatar como
transcorreu os últimos três meses de campanha até a eleição. Tendo como referência o
conteúdo estudado, estabeleça as relações possíveis com as definições sobre pós-verdade,
fake news, agenda de costumes, discurso radical, função do Estado etc. Para isso, você terá que
usar estudos (artigos ou livros) para dar sustentação teórica às suas constatações como as
citadas aqui, principalmente, as relacionadas às estratégias políticas alinhadas com outras
campanhas políticas pelo mundo. Seu texto precisa ter, no mínimo, duas páginas atendendo às
normas da ABNT com as referências e citações usadas na pesquisa.
Problema em Foco
O ensino de Ciência Política exige do estudante uma formação alinhada com a pesquisa,
fomentando a capacitação para reflexão crítica e interpretativa do ambiente político
contemporâneo, assim o foco agora será exercitar essa capacidade devidamente sintonizada
com o conteúdo estudado não só nesta disciplina, mas com as demais disciplinas do curso. O
mais importante é que, com isso, sua capacidade interpretativa e de aplicação dos conceitos e
teorias estudadas poderão ser avaliados com base no atendimento e resolução dos problemas
propostos.
Atividade de Entrega
Muito bem, estudante.
Agora que você já leu todas as situações-problema, você pode fazer o download deste arquivo
para realizar a atividade de entrega.
Caso prefira, o arquivo também se encontra no Ambiente Virtual de Aprendizagem.
Referências
ABDOUNI, A. Fake news e os limites da liberdade de expressão. São Paulo: AAA Editora, 2021.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia das Letras, 1989.
BROWN, W. Nas ruínas do neoliberalismo: a ascensão da política antidemocrática no ocidente.
São Paulo: Politeia, 2019.
CASTELLS, M. Ruptura: a crise da democracia liberal. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
CRICK, B. Em defesa da política. Brasília, DF: UNB, 1981.
D’ANCONA, M. Pós-verdade. Barueri, SP: Faro Editorial, 2018.
DIAS, R. Ciência Política. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
FRASER, N.; JAEGGI, R. Capitalismo em debate: uma conversa na teoria crítica. São Paulo:
Boitempo, 2020.
LEVITSKY, S.; ZIBLATT, D. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
MOUFFE, C. Por um populismo de esquerda. São Paulo: Autonomia Literária, 2019.
MOUFFE, C. Sobre o político. São Paulo: Martins Fontes, 2015.
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Referências
MUDDE, C. A extrema direita hoje. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2022.
PRZEWORSKI, A. Crises das democracias. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
PRZEWORSKI, A. et al. O que mantém as democracias? Lua Nova, São Paulo, n. 40-41, p. 113-
135, 1997.
RUNCIMAN, D. Como a democracia chega ao fim. São Paulo: Todavia, 2018.
SANTOS, B. S. A difícil democracia. São Paulo: Boitempo, 2016.
SANTOS, B. S. Esquerdas do mundo, uni-vos!. São Paulo: Boitempo, 2018.
SNYDER, T. Na contramão da liberdade: a guinada autoritária nas democracias liberais. São
Paulo: Companhia das Letras, 2019.
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